Alemanha

Resposta da Confederação de Futebol Alemã ao artigo “Obrigado Alemanha” [Português e Alemão]

12 de setembro de 2014 0 Comments

Queridos,

Recebi uma gentil resposta da Confederação de Futebol Alemã ao meu artigo Obrigado Alemanha. Segue a resposta traduzida e em alemão.

Que possamos aprender as lições do 7 x 1.

Abçs

WD

RESPOSTA CONFEDERAÇÃO DE FUTEBOL ALEMÃ

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Obrigado Alemanha [Português e Alemão]

16 de julho de 2014 2 Comments
por William Douglas

Escrevo após assistir o vídeo “Obrigado Brasil“, divulgado pela Alemanha. Eis o vídeo.

Muito gentil você, Alemanha.

Mas, para ser sincero, quem tem que agradecer somos nós: (mais…)

O que alguns gostariam que acontecesse…

9 de julho de 2014 0 Comments
MIB_7x1por William Douglas

 

Primeiro, lembrar que os jogadores, com apagão ou não, com sete gols ou não, tentaram. E isso não é vergonha nenhuma. Aliás, não tenho vergonha do placar e não preciso esquecê-lo.

Eu respeito e aplaudo meu time, e mais ainda o técnico. Ele sempre será o técnico do nosso Penta. Não vai ser um jogo ruim que tirará isso dele.

Não tenho vergonha alguma do jogo, embora esteja dilacerado com o resultado e o placar elástico. Vergonha eu tenho é das agressões a um torcedor alemão, é de brasileiros quebrando o  Mineirão por causa da derrota, ou de vaiarem nossa seleção. Lembro que na Copa ocorrida na Alemanha, após o time local perder a semifinal, o estádio o aplaudiu, cantou para ele uma canção de orgulho, honrou-o. Sinto vergonha é do preço dos nossos estádios, dos viadutos que caem, das boates esquecidas (Kiss e outras), das refinarias mal compradas e outras inconclusas, e tudo caro. Do meu time, sinto orgulho; dos alemães, inveja.

Os alemães, ah, os alemães! Espero que todos se lembrem que eles estão há seis anos trabalhando esse grupo, que construíram (rápido e sem superfaturamento) um Centro de Treinamento no Brasil para dar melhores condições aos atletas. Aliás, fazem isso na educação etc., lá na Alemanha.

Espero que todos lembrem que eles realizaram treinamentos  ao meio-dia, sol a pino.

Espero que lembrem que não apostam nos valores individuais, embora os tenham,  mas sim no time. Não têm tantos dribles, mas passam a bola, jogam junto e o resultado disso é que, mesmo sem ser prioridade, os valores individuais aparecem. Não têm “salvadores da pátria”, nem no time nem na política.

Quem perdeu não foi nosso time, quem perdeu esse último jogo foi nosso jeito de ser brasileiros. Daí, éramos nós ali, todo o tempo. Vaiar o time é vaiar nosso jeito coletivo de levar a vida. Quem deve pedir desculpas não é o David Luiz, somos nós mesmos. E começar a jogar diferente. Quem precisa de renovação não é a seleção brasileira: é nossa política, nosso serviço público e cada cidadão que reclama da corrupção, mas vive de jeitinhos, sonegando, trapaceando, fraudando, trabalhando ou estudando o menos que puder. Desculpas, devemos todos. E, mais que elas, devemos a nós mesmos uma grande mudança. Por isso, espero que ninguém esqueça esse dia.

Quanto ao meu time, e minha camisa, me perdoem os que pensam diferente, mas sete gols não matam um grande amor.

Sábado, estarei no estádio com minha camisa. Vençam, ou não, estarei lá para aplaudi-los. O grande jogo, aquele no qual não podemos ter nem apagão nem derrota, é o jogo para mudar o jeito brasileiro de levar a pátria.

 

Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da constituinte

1 de julho de 2009 0 Comments
por Lenio Luiz Streck

Há uma obra de Otto Bachof que é bastante conhecida pelos cultores do direito constitucional. Ela se chama Normas Constitucionais Inconstitucionais?. A grande ironia que existe por traz desse fato notório é que o conhecimento das motivações históricas que levaram o professor alemão a escrevê-la é inversamente proporcional ao seu sucesso e sua “popularidade”. Talvez seja interessante lembrá-los aqui. Principalmente quando vivemos em um país em que, a todo tempo, setores do pensamento jurídico-político apresentam teses que têm como pretexto um problema particular do cotidiano para, no fundo, desconstituir a Constituição (sem falar na patética tentativa recentíssima da PEC 341/09 que pretende cometer um haraquiri institucional, reduzindo a Constituição a 70 artigos). Essas propostas vão desde mini-constituintes para efetuar uma duvidosa reforma política, até à construção de um ambiente doutrinário no interior do qual se convive pacificamente com a degradação dos (pré)compromissos estabelecidos pelo constituinte de 1988 através de uma irresponsável defesa de bons ativismos judiciais para resolver problemas que a realidade imediata apresenta.

Desconsidera-se, assim, o elán vital que imprime significado a uma Constituição: ela é feita em momentos de “sobriedade” política para defender o Estado e a sociedade exatamente destas erupções episódicas de paixões e desejos momentâneos. Algo que pode ser compreendido a partir de Homero e seu Ulisses. Como é sabido, na Odisséia, Ulisses, durante seu regresso a Ítaca, sabia que enfrentaria provações de toda sorte. A mais conhecida destas provações era o “canto das sereias” que, por seu efeito encantador, desviava os homens de seus objetivos e os conduzia a caminhos tortuosos, dos quais dificilmente seria possível retornar. Ocorre que, sabedor do efeito encantador do canto das sereias, Ulisses ordena aos seus subordinados que o acorrentem ao mastro do navio e que, em hipótese alguma, obedeçam qualquer ordem de soltura que ele pudesse vir a emitir posteriormente. Ou seja, Ulisses sabia que não resistiria e, por isso, criou uma auto restrição para não sucumbir depois.

Do mesmo modo, as Constituições funcionam como as correntes de Ulisses, através das quais o corpo político estabelece algumas restrições para não sucumbir ao despotismo das futuras maiorias (parlamentares ou monocráticas). Isso é de fundamental importância. Algo que os gregos ainda podem nos ensinar com a autoridade daqueles que forjaram o discurso democrático: entre eles as decisões mais importantes acerca dos destinos da pólis só poderiam ser levadas a efeito no diálogo que se estabelecia na ágora. (mais…)