Lições do Campeão Mundial Diego Hypolito sobre Como Passar em Provas e Concursos

por William Douglas

Diego Hypolito é campeão mundial de ginástica olímpica, medalha de ouro no Pan… todos o conhecem. O topo no esporte envolve necessariamente a fama, o que não acontece no concurso: neste, basta ser aprovado para estar no topo. Depois, no serviço público, bastará ser um bom servidor e lá estará outra medalha de ouro no peito.

Mas falemos do Diego… e não é por acidente que falo dele. Temos um livro em coautoria, eu, ele e seu técnico, Renato Araújo. Passamos uma tarde juntos para falar do livro e a conversa foi boa. Nosso encontro foi durante sua fisioterapia. Por cautela, operaram seu joelho logo no início de um problema que se apresentava. Eles não quiseram esperar e correr o risco do problema piorar ainda mais perto das Olimpíadas. Isto é um princípio válido: ataque os problemas logo, não os deixe crescendo e se fortalecendo, engordando. O interessante é que o problema não era grave, afetaria apenas um pouquinho do desempenho. Mas campeões não raciocinam com mais ou menos: eles querem 100%. Às vezes, 110%. Campeões são campeões porque se comportam como tal. Se você, na sua vida profissional, trabalhar pelos 100… ou 110%, vai chegar bem perto da perfeição e colher os resultados.

Um bom concurseiro estuda 100% do programa, presta atenção 100% nas aulas, se disciplina 100%, o que envolve manter equilíbrio e carga horária razoável (mínima, mas o suficiente) para sono, família, atividade física e lazer.

Por falar em saúde, depois dessa operação, que faz parte, ele ainda teve uma dengue. Acho um absurdo um campeão mundial ter que interromper os treinos por causa de uma dengue. Por que o governo não cumpre seu papel? Por quê? Bem, o fato é que isso nos lembra de que durante um projeto, qualquer projeto, acontecerão acidentes e problemas injustos e inesperados. Campeões dão de ombros, um sorriso, fazem o que podem… consertam o que puderem… e voltam aos treinos. Se você quer alguma coisa, eu garanto que acidentes acontecerão, e garanto que todos passam por isso. Se você quer alguma coisa, vai ter problemas. Mas eu ainda prefiro os problemas que afligem quem quer alguma coisa do que os que acometem quem não quer coisa alguma.Diego, para início de conversa, é simpaticíssimo. Não é como muitos atletas, artistas e servidores públicos que acham que possuem um rei na barriga. Ponto para ele.

Nesse dia, para quem tinha acabado de se operar, ele estava ótimo. Pensei que encontraria algum abatimento pela interrupção nos treinos para ganhar a medalha olímpica, mas, ao contrário, ele estava animado e feliz. Essas coisas fazem parte, disse ele. Ponto. Campeões não se deixam abater.

Para falar a verdade, ele agradece o amadurecimento que teve quando passou por sua mais grave contusão, antes do campeonato mundial. Segundo ele, aquela lesão o fez perceber que tinha que treinar muito, ouvir mais o técnico, ter mais paciência com o andamento das coisas, aprender que existe um tempo para tudo. Segundo Diego, aquela contusão grave fez parte do processo de conquista do seu primeiro campeonato mundial. Reparem que, como qualquer grande campeão, Diego conseguiu extrair da dor e da frustração lições para vencer depois. Aprendeu a lidar com os problemas e aprender com eles. No concurso, eu diria que cada reprovação ou outro acidente grave pode ter esse feito: ele te desanima… ou te ensina alguma coisa para no futuro você ser mais forte. Dessa vez, Diego me disse: “eu já passei por coisas piores antes, é assim mesmo, vou superar isso”. Experiência de campeão.

Outro ponto interessante foi o que ele contou que fazia enquanto estava impossibilitado de treinar: ele simplesmente fazia todos os exercícios mentalmente! Isso é coisa de campeão. O mais interessante é que estudos realizados por universidades mostraram que isso funciona. Separaram três grupos de atiradores: o primeiro treinou com armas e alvos de verdade, o segundo apenas mentalmente e o terceiro não treinou. Depois fizeram um campeonato de tiro. O resultado é que o grupo que treinou mentalmente ficou bem perto do que treinou com armas reais, e bem melhor do que o grupo que não treinou nada. A conclusão é, mais uma vez, o extraordinário poder da mente.

Diego nos conta que quando voltou aos treinos sentiu pouca diferença. É coisa de maluco ficar treinando na mente porque não pode treinar na academia? Não, isso é coisa de campeão.