Largar ou não o emprego para poder estudar mais?

por William Douglas

Uma questão que sempre se levanta nas palestras e indagações e que perturba muitos concurseiros e seus familiares é a respeito da opção (se ela existe) de largar ou não o emprego, a fim de se ter mais tempo para estudar e se preparar para os concursos. A resposta rápida é a seguinte: se você tem condições – financeiras e emocionais – de se dedicar integralmente ao estudo, faça isto. E não desperdice tempo e oportunidades, nem seu entusiasmo para o estudo. Mas nem sempre a coisa é tão simples assim. Conheço casos de quem parou de trabalhar e acabou se estressando ainda mais, e casos de quem parou e deu muito certo, conseguiu organizar o estudo e foi apoiado pela família e amigos. Não existe uma regra única, não existe “receita de bolo”.

Minha preocupação, nestes casos, é sempre de a pessoa acabar fixando um prazo para passar por causa da grana que tem disponível (indenização, poupança etc.), e terminar se estressando e aumentando a ansiedade. Não existe prazo para a aprovação; passar ou não depende de um grande número de fatores, como preparo emocional na hora da prova, conhecimento da matéria, motivação. Deixar o emprego para se preparar só deve ser feito se esses fatores não forem afetados, especialmente o preparo emocional. Concurso se faz até passar é uma verdade bastante preocupante, por exemplo, nos casos em que o concurseiro estiver bancando as despesas da casa e da família. Na falta que o emprego causa, ele começa a ficar impaciente, o que só vai atrasar ainda mais sua aprovação. Nesses casos, parar de trabalhar, além de mais tempo, vai trazer, também, mais estresse, mais insegurança, mais ansiedade, mais nervosismo. Simplesmente, não vale a pena. Um concurseiro angustiado dificilmente vai conseguir sua aprovação.

Por outro lado, se a pessoa tem condições de parar de trabalhar e ficar estudando com responsabilidade e flexibilidade, pelo tempo que for necessário, a ideia pode ser boa. Seu preparo vai ser mais rápido, mais focado, não terá de pensar em outros problemas e complicações, frequentes em qualquer trabalho. Reforço, contudo, que esse não é o padrão. A maioria dos concurseiros que vêm falar comigo – e que são aprovados – está trabalhando e quer mudar de vida. Muitos deles, inclusive, já são servidores e querem galgar posições melhores, e não há nada de errado nisso.

Para aprofundar, eu diria ainda que é necessário saber se o emprego é “fácil de conseguir de novo”, caso a grana acabe, ou não. Se você sai com uma boa proposta para o retorno ou deixa “sua mesa esperando”, fica mais fácil. Ou ainda, se você tem a opção de tirar uma licença, mesmo sem vencimentos, mas que possibilite retornar após algum tempo. A escolha, nesses casos, é mais fácil, mais simples.

Se o emprego é difícil de conseguir de novo, contudo, ou se você se conhece bem a ponto de saber que consegue, sim, se organizar para trabalhar e estudar, conciliar as duas coisas, vale a pena um esforço. Claro, é preciso um pouco mais de paciência e perserverança até a aprovação.

Outro caso em que parar de trabalhar é mais fácil (ou melhor, facilitado) ocorre quando os pais ou o cônjuge seguram a barra. Nestes casos, quem está pagando as contas deve ser paciente; também tem de apoiar, acreditar e confiar muito no projeto e no preparo, e evitar achar que, por estar pagando as contas, virou dono ou chefe do concursando, e que este deve se sujeitar.

Por fim, o concurseiro que tem a oportunidade de só estudar deve procurar não desperdiçar o tempo a mais e aproveitá-lo ao máximo.

Há ainda os casos de pessoas que conseguem trabalho em meio expediente e aquelas que deixam férias e licenças-prêmio para a hora em que a prova estiver chegando para aproveitar melhor o tempo a fim de se preparar e ficar mais calmo.

O que mais o atrapalha é o trabalho ou a falta de foco? Como vencer esta dificuldade? Encontrar estas respostas faz parte do planejamento de um sistema de estudo e você vai precisar disso para ser bem-sucedido não só nas provas, mas também na sua atuação profissional, depois de aprovado. Avalie os prós e os contras, anote-os e invista tudo na sua escolha.