Poesias

O abraço

15 de janeiro de 2017 3 Comments
por William Douglas

Abraço meu filho, aperto-o não contra, mas a favor do meu corpo, sinto sua estrutura, sua carne, mexo nos seus cabelos e sinto seu cheiro. Invadem-me um amor e uma alegria imensos e me assalta um temor também. Em breve, será bruma. O menino sumirá num átimo e em seu lugar haverá um homem.

O abraço no filho é o meio da noite, que a cada minuto vai virando dia; é o ninho abraçando um ovo cada dia menos ovo e mais pássaro, surpreendendo sempre antes do tempo, se rompendo uns tantinhos quase invisíveis a cada dia.

Cada palavra pronunciada corretamente enseja uma comemoração, mas também um passamento: é o ovo se rompendo em câmera lenta, é o dia anunciando sua inexorável marcha. (mais…)

Supernuvens

15 de novembro de 2016 1 Comment
por William Douglas

Ontem foi tudo o que tive, malgrado todas as promessas a respeito da superlua, fenômeno espetacular e raro cuja última edição foi em 1948. Quem, como eu, perdeu, só terá chance de igual magnitude em 2034.

Uma amiga que também perdeu o espetáculo prometeu que em 2034 a superlua não vai escapar! Então, ao ouvir sua promessa, imediatamente pensei na mãe falecida, que nem em 2034 haverei de ver, salvo se partir antes, mas aí perderei a presença da mulher, filhos e amigos. Resto entre dois mundos, anseio pela partida e receio partir, tendo saudades espalhadas por mais de um mundo. Abraço mais forte o ente querido ao meu alcance, é o que me resta.

Chorar pelo que se perdeu, ou pelo que pode levar mais 17 anos para se ter, e perder o momento presente? Esta é uma loucura bem comum. Espero que você aproveite as coisas que não precisam décadas para voltar a acontecer.

Consola-me ter feito o que fiz: anotei a data, não marquei outro compromisso e esperei ansiosamente, torcendo para que as nuvens sejam levadas pelo vento. É o que se pode cobrar de mim, não? Eu fiz minha parte.

Fiz?

Talvez. Ou pode ser que a culpa seja minha. Eu li que a Região Sudeste teria tempo nublado, eu poderia ter pegado um avião para o Sul ou o Nordeste. Sim, podia dar errado também, mas a chance de dar certo seria maior. E se não quis tanto ver a superlua a ponta de me empenhar tempo e despesas para ir encontrá-la… ok, foi minha escolha.

Às vezes não se tem a lua porque a gente fica sentado torcendo para o vento levar as coisas embora, ou trazer o nosso desejo. Ele raramente faz tais coisas. Temos que soprar nossa vida como a natureza faz com os veleiros, temos que ir atrás dos nossos quereres.

Daí, se você viu a superlua, fique bem feliz, pois muitos quiseram e não viram; e se não viu, que aproveite bem outros fenômenos ao seu redor, pois 2034 resta ainda um tantinho distante. Mas não perca o que está ao seu alcance. E sempre se pergunte: o que mais eu quero na minha vida e que não vai bastar ficar sentado esperando?

Pegue seu avião para onde for preciso, sopre suas velas sem esperar que o mundo entregue tudo facilmente. Ele não entrega nada, senão o sopro da vida.

Vá buscar suas luas.

Minha Filha, Meus Filhos

13 de janeiro de 2016 10 Comments

por William Douglas Olham a foto silfídica, élfica e nórdica de minha brasileira e apimentada filha e exclamam: – Ela vai dar muito trabalho! Sempre.

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O amor serve para quê?

18 de maio de 2015 4 Comments

por William Douglas Amor, Flor Estranha   O amor é uma flor estranha, que às vezes nasce nos lugares mais inóspitos, outras, resiste às maiores.

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Saudade da Mãe…

11 de maio de 2015 0 Comments

por William Douglas Maio, mês das mães. Como homenagem, transcrevo um trecho do livro A Última Carta do Tenente, onde abro meu coração e fala.

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