(Ainda) uma (outra) nota do autor

7 de janeiro de 2008 Artigos, Poesias 0 Comments
por William Douglas

Eu mesmo não gosto de ler todos os poemas de amor um após do outro, nem os poemas sobre qualquer tema agrupados. Agrupei-os por assunto, mas acho melhor lê-los de modo diverso. Leia um de amor, depois um sobre a morte, depois outro assunto, um outro dia, outro de amor e assim por diante.

Não ame nem morra tudo de uma só vez.

Mas, se preferir, leia de outro jeito, ou como quiser. Só em você os ler, fico grato e satisfeito. Porque se um dia morrerem, como no poema Tabacaria nos falou Fernando Pessoa, antes de morrerem terão sido conhecidos. Não terão tido apenas a mim mesmo para lhes fazer companhia.

Carlos Drummond de Andrade já disse:

“Chega mais perto e contempla as palavras/

Cada uma/ tem mil faces secretas sob a face neutra”.

Espero que quem privilegiar-me com a leitura, possa encontrar (na face neutra daquilo que escrevi) as próprias vontades, desejos, dúvidas, recordações, enfim, encontrar as faces secretas de cada escrito. Aquelas que só descobrem-se quando o leitor interage com o texto. Poesia agrada quando toca, e só pode tocar quando iluminada pela alma de quem a lê.

Tive uma alegria ao escrever estas linhas. Espero que você também encontre estes sentimentos, que já não serão os meus, mas os de cada um que resolver ler cada palavra à luz de tudo o que viveu.

Admito que meu maior prazer foi escrevê-las. Fê-las para mim, e ao lê-las, satisfaço-me. Podem não ser boas, mas são o melhor de mim, o mais perfeito que consegui dentro da minha ilimitada imperfeição.

Publicar estes escritos serve para compartilhar a minha individual satisfação com os amigos. Os textos são representativos de partes representativas da minha vida. Assim, de certa forma, entrego na letra fria partes seletas da minha própria existência. É quando escrever é um ato de amizade, um ato de compartilhamento, e até de fragilidade.

Lya Luft, escritora gaúcha, já disse:

“Tenho um olho alegre, que vive. E um olho triste que escreve.”

Se algum leitor achar-me triste ou amargurado demais, fique tranquilo quanto ao seu amigo. Como a colega acima, destilo no papel o lado triste para poder sorrir mais com o que me sobra após rever os sentimentos doloridos e dolorosos.

Estes escritos são apenas as anotações feitas por mim enquanto vou vivendo. Às vezes, podem parecer pessimistas, mas registram apenas uma parte da vida.

Há sempre uma outra parte, e, mais que isto, há sempre a parte da frente, a parte avante, o dia seguinte, quando tudo recomeça.

Gertrude Stein já disse: “Observações não bastam para fazer literatura”. Por essa razão, e dado que apenas fiz observações, sei que não veiculo aqui literatura.

Por outro lado, Ernest Hemingway diz:

“Quando um escritor para de observar, deixa de procurar pelas coisas despercebidas que causam emoção. Está acabado”.

Assim, embora faça apenas observações, mantenho-me à procura. E faço isto na esperança de que não me dê por acabado ou vencido.

Essa angústia, essa vontade de procurar as coisas é que me anima a escrever. Principalmente, quando algo que marca ou emociona.

Enfim, se emocioná-lo um pouco, qualquer coisa, estas anotações aqui terão servido de mais um alento além do meu próprio. E, melhor, terão interagido, tornando a minha alma e a sua ligadas por um pouquinho que seja, talvez por um segundo apenas. Mas toda a eternidade é feita de pequenas coisas e de partículas de um segundo.

Talvez alguém considere que me fragilizo ou exponho, ao colocar meus sentimentos no papel e à disposição. Isto é um fato. Como disse João Cabral de Mello Neto “Escrever é estar no extremo de si mesmo”. Ao expor meus sentimentos, pensamentos, dilemas, de fato, me exponho. Coloco-me no extremo de mim mesmo. Mas sobre isto já falei no poema “Carta para Vinícius”, que consta deste livro (pág. 212)*. Exponho-me sim, mas a minha exposição é intencional e expõe, como um espelho, a pessoa que me lê, já que a reação de quem lê é reveladora da pessoa não mais diante do escritor, mas de si mesma. Viver é estar exposto, e evitar sito é uma forma de clausura, algo bem oposto ao sentimento de liberdade. Expor-se, pois é libertar-se, não só de si mesmo, mas também a favor de quem está a sua volta.

Repiso: estendo meus escritos assim como, num cumprimento, o amigo estende a mão. Espero que você veja no meu poema um sorriso e me estenda a mão, e até mesmo, me entenda. E, se não conseguir, ao menos houve a tentativa, que é uma forma de entendimento.

Considerando que você, enquanto estiver vivo, está fazendo uma viagem pela vida, e que, como já foi dito, a felicidade é saber que “o sucesso não é o destino, mas a jornada”, desejo para você uma boa viagem.

Sempre.