31.XII.86

7 de janeiro de 2015 Artigos, Poesias 1 Comment
por William Douglas

Não te amarei com a lógica dos computadores,
    Nem com a eloquência dos ditadores.

Não posso amar-te com a renúncia das freiras,
    Mas não serei teu em um amor terno e frio,
    Como goteiras de gelo e de fogo ao mesmo tempo.

Nossa história é mais cheia de chegadas e
    Partidas que um porto,
    E se houvesse um navio que pudesse ter
    Mais partidas do que chegadas,
    Este navio seria teu corpo.

Não te amarei sempre, porque sendo muito
    És mais vulnerável, mais que uma ilha.

És tudo, hoje és tudo, mas não estamos juntos,
    Aí, não é mais possível que se tanto.

Não te posso amar cerrando os punhos,
    Nem cortando-me cada vez que te preciso.

Não te amarei com a sede das nuvens.

Eu que hoje te amo tudo,
    Com todas as asas que existem,
    Um dia, não te amarei quase nada,
    Só com as lembranças,
    Que nunca saem dos nossos vestidos;
    Só nunca abandonam os amores correspondidos.